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Trav. São Roque, no início do século XX.
(foto: livro Belém da Saudade - editora: Funtelpa)
          Neste capítulo da História de Icoaraci, mostraremos como se formaram as suas primeiras ruas, a partir da execução da lei provincial nº 598, de 08 de Outubro de 1869.
           Segundo Antônio Rocha Penteado ("Belém - Estudo da Geografia Urbana", UFPA, 1968), a estrutura de "Icoaraci" é uma conseqüência da orientação posta em vigor em toda a região bragantina, na segunda metade do século passado, quando se organizavam naquela área as sedes dos núcleos colônias. A antiga povoação do Pinheiro não escapou a essa tendência: quarteirões regulares, ruas e travessas largas, originando o clássico plano em tabuleiro de xadrez; o topo aplainado do terraço facilitou a execução desse traçado.
          Quando Pinheiro, hoje Icoaraci, retornou à propriedade da Fazenda Provincial, uma das idéias do governo, conforme o texto da lei nº 598, foi dividir as terras, para que os foreiros construíssem casas e cultivassem o solo, dando com isso animação e vida ao novo povoado.
           No Domingo, 28 de novembro de 1869 o Cônego Siqueira Mendes, que exercia então o cargo de Presidente da Província, foi ao Pinheiro acompanhado de amigos e correligionários, para assistir e ativar, como anunciava os jornais da época a demarcação e arruamento da localidade. Foram demarcado e divididos oito quarteirões com 90 braças cada um, em frente ao rio Guajará, e seis em frente ao furo (rio) do Maguari, cortado por dezesseis ruas com 10 braças de largura cada uma e duas amplas praças no interior da povoação. Das 16 ruas, 7 são paralelas ao rio Guajará, seguindo o rumo Norte-Sul e sendo consideradas como principais, enquanto as outras 9 ruas são perpendiculares às primeiras, seguindo o rumo Este-Oeste. Feito isto, tratou o Cônego Siqueira Mendes de dar nomes aos caminhos.
           A primeira rua, por escolha unânime dos cavalheiros que o acompanhavam, teve a dominação de "Siqueira Mendes", para ali ser perpetuado como esclarecia o jornal "Diário de Belém", órgãos dos conservadores, "a boa vontade e esforços que têm desenvolvido o presidente da Província, para quanto antes ser levada a efeito a magnífica idéia da instalação do povoado".
           A segunda rua - 28 de Novembro - constituiu uma homenagem à data em que foram lançados os fundamentos da povoação. Por tanto 28 de novembro é a verdadeira data de fundação de Icoaraci.
           A terceira - 08 de Outubro - data da assinatura da lei provincial nº 598 que deu ao Pinheiro o predicado de povoação.
           A quarta - 07 de Setembro - tributo cívico à independência do Brasil.
           A Quinta - Rua 15 de Agosto - comemorativa ao dia da instalação da Assembléia Legislativa Provincial.
           A sexta - 25 de Março - dia de juramento da constituição política do Império.
           A sétima - Santa Izabel - denominação da povoação e Santa que era dedicada a mesma, segundo o texto da lei nº 598. Essas ruas são hoje mais conhecidas pela sua seqüência numeral de primeira a sétima, conforme acostumou a tradição popular.
           As outras nove ruas receberam as seguintes denominações: a primeira - do Cruzeiro - porque começa onde os frades carmelitas erigiram, a 11 de agosto de 1711, "uma bonita cruz de granito do Porto, que assinala essa florescente vila".
           A segunda - Pimenta Bueno - constituiu um reconhecimento a esse comendador que chegou a presidir a Província do Amazonas e prestou relevantes serviços ao país.
           A terceira - Cristóvão Colombo - homenagem ao descobridor da América.
           A quarta - São Roque - Santo do nome do deputado Manuel Roque Jorge Ribeiro, que apresentou na Assembléia Provincial o projeto-de-lei dando os predicados de povoação ao Pinheiro.
           A quinta - Itaborahy - significativo preito de simpatia prestado ao Visconde de Itaborahy, senador e ministro do Império e chefe conservador, pelo cônego Siqueira Mendes, o líder dessa facção política no Pará.
           A sexta - Sousa Franco - tributo de reconhecimento ao Visconde de Souza Franco, ilustre paraense que tantos serviços prestou à sua terra natal e ao Império, do qual foi senador e ministro.
           A sétima - do Berredo - homenagem ao historiador Bernardo Pereira de Berredo, que escreveu os "Anais Históricos do Estado do Maranhão" e governou a capitania Gram-Pará.
           A oitava - dos Andradas - justo reconhecimento aos irmãos Andradas (José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Francisco), pelos patrióticos esforços na criação e consolidação do Império Brasileiro.
           E finalmente a nona - da Soledade - por ser o caminho que levaria ao cemitério público. Essas ruas, por serem consideradas secundárias, receberam mais tarde a referência de "travessas". As duas praças, inicialmente projetadas, seriam a da Matriz e a do Imperador.
           Posteriormente as artérias sofrem várias modificações em suas denominações primitivas. Em 1904, um mapa do conselho do Patrimônio Municipal já apresentava mudanças dos nomes em algumas das principais ruas. A quarta já era "15 de Agosto"; a quinta rua "da Matriz", porque presume-se que antigamente ou fora projetada a construção de algum templo católico; a sexta rua, a rua "Santa Izabel", e a sétima, rua "2 de Dezembro", homenagem à data do nascimento do Imperador D. Pedro II, em 1825, mais tarde, a segunda rua passou a denominar-se "Manoel Barata", em homenagem ao notável republicano histórico e senador federal paraense; a terceira rua "Padre Júlio Maria", preito de reconhecimento ao religioso que fundou o Colégio N. S. de Lourdes; a quinta, rua "Coronel Juvêncio Sarmento", homenagem ao fidalgo que desempenhou importantes funções no Estado e, segundo rezam as crônicas, teria sido um dos grandes proprietários de lotes na antiga Vila do Pinheiro. As demais ruas mantiveram as denominações. Portanto, a sequência atual das ruas de Icoaraci é a seguinte: "Siqueira Mendes", "Manoel Barata", "Padre Júlio Maria", "15 de Agosto", "Coronel Juvêncio Sarmento", "Santa Izabel", e "2 de Dezembro". Ressalta-se que a rua "15 de Agosto", originalmente criada para homenagear a instalação da Assembléia Provincial, também serve para manifestar o preito dos icoaracienses à adesão do Pará à Independência do Brasil, data magna da história do Pará. Por outro lado, é curioso notar que as ruas secundárias, ou seja, as "travessas", nunca sofreram modificações nas suas denominações, mantendo seus nomes primitivos desde a instalação do povoado, a 28 de Novembro de 1869.
           Esta é, em síntese, a formação histórica das nossas ruas, ressaltando que devemos rememorar os fatos que marcaram a nossa trajetória ao longo do tempo, refletindo para o dever que temos de cuidar com muito amor e carinho deste torrão abençoado por Deus, além de reverenciar os vultos que contribuíram para a construção de nossa querida "Vila Sorriso". Homens que plantaram no passado as primeiras raízes, proporcionando as nossas realizações do presente. Homens como o ilustre cônego Manoel José de Siqueira Mendes, cujo o trabalho foi notável pelo progresso da localidade, não poupando esforços para que tudo fosse levado em bom termo e ativando, com a sua constante presença, as obra preliminares da fundação do povoado de santa Izabel, depois de São João Batista, Pinheiro e, finalmente, Icoaraci, que ainda hoje mantém a sua influência na nomenclatura de suas ruas.
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